Meia-brasileira vive entre dois mundos 

Criadora de conteúdo americana compartilha trajetória após mudança para São Paulo 

Vinda dos Estados Unidos, a criadora de conteúdo Sydney Furia chegou ao Brasil sem saber muito o que esperar, mas acabou se apaixonando pelo país, pela cultura e por tudo o que encontrou aqui. Entre adaptações e pequenas alegrias do cotidiano, ela fala sobre o que mais a encanta na vida brasileira, além das diferenças que ainda a surpreendem. Esta é uma versão ampliada da entrevista, com trechos inéditos e mais pessoais sobre a vida dela por aqui.

Como começou sua relação com o Brasil?

Em 2022, eu me mudei para Lisboa, em Portugal, e lá eu tinha só uma amiga. Ela me apresentou a algumas pessoas e uma delas era brasileira, o Mateus. Ele foi a minha primeira representação do Brasil — uma pessoa divertida, extrovertida e muito alegre. Ficamos amigos rapidamente, e alguns meses depois ele acabou me apresentando ao meu marido.

Mas, não sabia muito o que esperar, nunca tinha ido à América do Sul. O mais ao sul que eu tinha ido era a Guatemala. Mas acho que o que me fez me apaixonar pelo Brasil foi o mesmo que me fez me apaixonar pelo Mateus: essa leveza, esse jeito divertido e espontâneo das pessoas. Aqui, sinto que as pessoas se importam menos com o que os outros pensam, e isso é algo que eu amo.

Quais foram suas primeiras impressões do Brasil?

O clima quente, as pessoas gentis, a comida deliciosa. E o jeito como a vida acontece — mais devagar, mais relaxado. Eu adoro churrascos, que pra mim são como uma festa o dia inteiro: comida, bebida, amigos… tudo junto, e você sente isso na cultura.

Quais diferenças você percebeu entre viver nos Estados Unidos e viver no Brasil?

Existem mais semelhanças do que eu imaginava. As pessoas, em qualquer lugar do mundo, estão meio que fazendo as mesmas coisas, e isso é bonito de ver. Mas, se eu tivesse que apontar diferenças, acho que a principal é a conveniência. Nos EUA, a vida é mais prática — eu já sabia onde encontrar tudo, as marcas que gosto, as lojas, os caminhos. Aqui, tudo ainda exige pesquisa e adaptação, mesmo nas tarefas mais simples.

Como você lida com a distância da família?

Já faz cerca de três anos que moro fora, e isso é desafiador. Mas tento ir pra casa com frequência — a cada quatro meses, mais ou menos. Meus pais também viveram longe dos pais deles, então acho que lido bem com isso. Ainda assim, sinto saudades.

Algo que te surpreendeu na cultura brasileira?

Acho que aqui as pessoas têm mais liberdade pra tentar coisas novas. Nos EUA, especialmente na escola, tudo é muito competitivo e caro, então a gente acaba se limitando a uma única atividade. No Brasil, vejo pessoas experimentando mais — jogando futebol na rua, cantando em grupos locais, tentando falar outras línguas. Eu mesma tenho pavor de errar quando falo português, mas admiro como os brasileiros se jogam sem medo.

O que os estrangeiros não entendem sobre o Brasil e os brasileiros? 

O principal é que muitas pessoas, nos EUA, ainda têm uma visão muito equivocada do que é o Brasil. Muita gente acha que aqui se fala espanhol, e eu mesma era ingênua em relação ao que significa “país de terceiro mundo”. Antes de vir, eu imaginava que todo mundo teria um padrão de vida parecido — e me surpreendi ao ver como o Brasil é diverso, inclusive economicamente. Existe uma riqueza aqui, em todos os sentidos, que eu não esperava.

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