Marina Battaglia encontrou nas viagens um caminho para revisitar a história e conhecer o mundo
Viajar, para muitos, é sinônimo de descanso. Para outros, de aventura. Para Marina Battaglia, de Sertãozinho (SP), no entanto, atravessar fronteiras é uma forma de compreender melhor o mundo. Apaixonada por História e fascinada por culturas distintas, ela transforma cada destino em um mergulho profundo no passado e no presente dos lugares por onde passa.
A primeira viagem internacional aconteceu ainda jovem, quando decidiu acompanhar o então namorado, hoje marido, Merinson, aos Estados Unidos. O objetivo era claro: assistir a jogos da NBA, sonho antigo dele. Mas o que mais impressionou Marina não estava nas quadras. “O que mais me marcou foi a sensação de segurança e a limpeza dos lugares públicos”, lembra. A experiência abriu uma porta que ela continua atravessando ano após ano. Viajar tornou-se um hábito, pelo menos uma vez a cada doze meses, não raro duas.
Motivações para viajar
Para Marina, conhecer novas culturas é uma necessidade quase visceral. “Amo a História do mundo. Acho fascinante estar fisicamente em lugares onde decisões significativas aconteceram”, afirma. Caminhar por ruas que foram palco de episódios decisivos desperta nela uma sensação única, como se cada monumento guardasse uma camada de compreensão sobre quem somos na sociedade.
Em suas andanças, Marina percebeu contrastes expressivos entre o Brasil e outros países. Se por um lado enxerga no povo brasileiro uma hospitalidade incomparável, por outro nota como muitas cidades estrangeiras investem na conservação de patrimônios históricos e na limpeza dos espaços públicos. Mas há um aspecto que se destaca acima de todos: a segurança. “A sensação de segurança é a mais marcante”, reforça.
Boas práticas no exterior
A experiência acumulada despertou nela reflexões sobre o que o país poderia adotar como boas práticas observadas no exterior. A principal, segundo Marina, seria preservar com mais cuidado os próprios locais históricos. Mas não só isso: “Priorizar a segurança, a limpeza dos espaços públicos e ter um pouco mais de patriotismo também seriam bons hábitos.”
Destinos afetivos
Entre tantos destinos, dois ocuparam lugares especiais no coração de Marina: Paris e o norte da Itália. A capital francesa é, para ela, “encantadora em todos os sentidos”. A arquitetura, os museus e o clima cultural vibrante transformaram a cidade em uma das memórias afetivas mais fortes de suas viagens.
Já a Itália, em especial o norte do país, despertou outro tipo de emoção. “Acredito que seja pela ancestralidade”, conta. Em todas essas passagens, Marina mantém uma tradição: coleciona itens específicos de cada lugar. Objetos que, reunidos, formam um grande mapa de todas as viagens que a moldaram.
Memória e reflexão
Apesar de viajada, um choque cultural permanece constante, vindo justamente dos Estados Unidos. “Sinto como o povo americano é indiferente ao resto do mundo, muito focado em si mesmo”, observa. Para ela, chama atenção o desinteresse geral pela história e cultura de outros países.
Por outro lado, a Europa trouxe vivências que deixaram marcas profundas. Entre elas, as visitas a museus do Holocausto. “Todas as pessoas deveriam visitar os grandes museus”, defende. Para Marina, compreender o passado é fundamental para que erros não se repitam, e espaços de memória desempenham um papel essencial nessa reflexão.
Além da memória histórica, há outro aspecto que transforma profundamente suas viagens: os encontros. Marina e o marido têm o hábito de fazer amizades pelos lugares por onde passam, muitas delas se tornando laços duradouros. Essa troca constante amplia perspectivas e revela outras formas de viver e pensar.
Um mundo maior que o nosso
Entre aeroportos, idiomas e fronteiras, Marina aprendeu lições que guarda para a vida. A principal delas é que o mundo é muito maior do que o “mundinho” que construímos ao nosso redor. “O fato de eu ter aprendido como uma coisa é não significa que seja assim no resto do mundo”, afirma. E, acima de tudo, Marina destaca um princípio que deveria guiar qualquer viajante: respeito. “Existe uma conduta no mundo: você se adequa ao local que vai, respeitando a cultura e a história daquele lugar. Não é sobre impor sua verdade”, conclui.










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