Cantar rock em inglês no Brasil ainda desperta estranhamento em alguns públicos, mas para a Ginger and the Peppers essa escolha nunca foi uma estratégia de mercado, e sim um caminho natural. Formada por jovens músicos que se conheceram ainda na escola, a banda construiu sua identidade a partir da mistura de referências, da convivência e da busca por autenticidade. Hoje, o grupo coleciona experiências em palcos do Brasil, dos Estados Unidos e do México, levando seu som autoral a públicos cada vez maiores.
A história começa nos corredores da escola. Foi ali que Alê Masili, guitarrista, Johnny e JP Masella se aproximaram através da música. “Eu já tocava guitarra e comecei a andar bastante com o Johnny. A gente falou: ‘mano, vamos tocar juntos’. E ele aprendeu bateria pra tocar comigo”, relembra Alê. As primeiras apresentações aconteceram ainda no ambiente escolar, com direito a competições entre estudantes e premiações. “Ganhamos um monte de competição entre escolas, foi bem legal”, conta.
A formação se consolidou quando Ju Dillon entrou para a banda. Nascida nos Estados Unidos, ela veio para o Brasil ainda criança, trazendo consigo o inglês como língua materna. No início, a vocalista chegou a cantar em português, mas algo não soava natural. “Quando ela cantava em português, não conseguia desenrolar tão bem. O inglês saía muito mais natural”, explica Alê. Além da fluência, as referências musicais internacionais pesaram na decisão. “Quase tudo que a gente escuta vem de fora. E o inglês tem uma métrica que se encaixa melhor nas melodias do nosso estilo.” Assim, a língua deixou de ser apenas um detalhe e passou a integrar a essência artística da banda.
Com novas formações ao longo do tempo, a Ginger and the Peppers ganhou fôlego ao se estabelecer oficialmente em estúdio, já em São Paulo. Hoje, além de Alê Masili e Paulo Gonzaga nas guitarras, a banda é formada por Ju Dillon no vocal, Ito Menezes no baixo e JP Masella na bateria, que também divide os vocais em momentos específicos dos shows.
A diversidade musical é um dos pilares do som da Ginger and the Peppers. Cada integrante carrega um universo próprio de referências. Alê transita entre o rock clássico dos anos 70, como Led Zeppelin, AC/DC, Black Sabbath e UFO, e influências mais contemporâneas como Jack White e Queens of the Stone Age. Paulo Gonzaga trouxe para a banda o peso dos anos 90, acrescentando novas camadas às guitarras. Johnny flerta com o punk e o rock alternativo moderno, enquanto Ju equilibra referências do pop atual, como Doja Cat e Dua Lipa, com a herança roqueira do pai, que a apresentou a bandas como Van Halen e Duran Duran. Já Ito, no baixo, é o mais eclético, passeia por décadas e estilos diferentes, sempre adicionando um toque próprio às composições.
Esse caldeirão de influências se reflete diretamente no processo criativo. As músicas nascem de forma coletiva, espontânea, sem fórmulas fixas. “Às vezes eu trago uma ideia, o Paulo traz outra, ou qualquer um da banda. Tem dias que alguém joga uma ideia mínima e a gente desenvolve junto. E tem momentos em que a gente pensa em uma referência e cria algo nessa direção”, explica Alê. Parte dos ensaios é reservada exclusivamente para a criação, sem o compromisso de apenas reproduzir repertório. “É o momento de focar em criar”, resume.
Mais do que um estilo sonoro, a Ginger and the Peppers carrega uma mensagem clara. A banda defende a autenticidade como princípio de vida e de arte. “As pessoas vão querer que você seja alguma coisa, que se comporte de determinada maneira. A gente prega muito essa ideia de ser você mesmo”, afirma o guitarrista. O discurso também passa pela valorização do tempo, da simplicidade e da liberdade. “Não viver rápido demais, aproveitar cada dia, discutir rock, ser feliz. Manter as coisas simples.”
A decisão de cantar em inglês nunca foi vista pelo grupo como uma limitação. Pelo contrário, acabou abrindo portas fora do país. “A gente tem um alcance mundial maior, porque é uma língua universal. Pela internet dá pra chegar em mais gente”, destaca Alê. Ainda assim, a banda recebe pedidos frequentes de músicas em português, especialmente do público brasileiro. “Tem gente que pede pra criar mais conexão, mas a maioria curte o som em inglês. A gente nunca enxergou como uma barreira.”
Nos palcos, a resposta tem sido vibrante. Um dos momentos mais marcantes da trajetória ocorreu durante apresentações no México e nos Estados Unidos. “A gente tocou pra 5 mil, 6 mil pessoas. A galera tratou a gente como se a gente fosse a maior banda do mundo”, relembra. Após os shows, vieram os autógrafos, pedidos de fotos e uma recepção calorosa que marcou profundamente o grupo. No Brasil, a resposta também é positiva, com públicos interativos e fiéis, embora a banda ainda busque expandir seu alcance em palcos maiores.
O presente da Ginger and the Peppers é de ensaios intensos e expectativas altas. O próximo show está marcado para o dia 13 de dezembro, no Burning House, na Água Branca, em São Paulo. Paralelamente, o grupo já trabalha no próximo álbum. As composições estão em fase inicial e a proposta é registrar o novo trabalho no Brasil, com equipamentos próprios e o apoio de produtores que costumam trabalhar com a banda. “A gente quer entender quem somos nesse momento e que lado da banda mostrar nessa nova etapa”, afirma Alê.
Às vésperas do show marcado para dezembro, e com um novo álbum em gestação, a Ginger and the Peppers atravessa um momento de transição. Entre o que já foi vivido e o que ainda se desenha, a banda segue em movimento, aberta aos próximos caminhos.
Para quem quer conhecer o som da Ginger and the Peppers, a banda está disponível nas principais plataformas de streaming. Ouça abaixo no Spotify:





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